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O sopro da natureza virgem
A natureza em estado virgem transmite-nos a sensação mais próxima da origem dos tempos e das espécies. Não é um saber intelectual, mas um perceber instintivo que está presente no hábito delicioso de algum vento, temperatura, maresia, névoa, cor do céu, ou de nuvem que percebemos com alumbramento cada vez que o sopro da natureza nos envolve e transfigura.
Antonio Soriano percebe o sopro da natureza virgem e ousa reproduzi-lo na harmonia de suas telas, em impressão transmitida que vai além da reprodução fiel da mais feminina e bem-composta dentre todas as propostas de beleza que a Providência doou para este mundo: o Rio de Janeiro.
A exposição faz-nos sentir encantados pioneiros, índios, desbravadores, descobridores do Brasil ou simplesmente alguém com ordens especiais dos céus para penetrar no santuário criado pelo Mistério que propicia a vida. Não esta nossa estupidez cria, mas a outra que nossa inteligência alcança e vislumbra embora nossa obra nem sempre a realize.
Ah, que sentido original! Que farra de espírito percorrer tais paisagens deslumbrantes, pesquisador de tudo que pintou, mas acima disso, poeta da cor e do sentimento, original artista capaz de nos transmitir essa insuportável sensação de chegar a esses lugares pela primeira vez, descobridor de um novo tempo e de uma nova ecologia.
Data: 5/6/1990
Fonte: Artur de Távola
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