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Gisela Waetge inaugura exposição no Museu do Trabalho

Gisela Waetge inaugura exposição no Museu do Trabalho

No próximo dia 28 a artista Gisela Waetge abre Base12 – Base9, no Museu do Trabalho, mostrando momentos distintos de seu trabalho: na sala grande estarão as pinturas-desenho da série base12-base9, pinturas que foram feitas entre 2011 e 2012, em diferentes tamanhos. A menor possui 36x36cm e a maior 180x180cm. Os tamanhos dessas telas foram estabelecidos a partir do que a artista chamou de unidade básica, que é um quadrado de 36x36 unidades, divisível por 12 e por 9.

Nos vários formatos, trabalhou a sobreposição dessas duas grades originadas a partir da divisão por 12 e da divisão por 9, formando diferentes quadriculados e marcando pontos. Com a ideia de estabelecer uma conversa entre a ordem arquitetônica do espaço do Museu e a ordem existente nos trabalhos, Gisela traçou pontos a cada 12 cm, com carimbo e têmpera, pontos esses que se misturam aos pontos nas telas. Na sala pequena estão desenhos sobre papel inéditos que resultarão no livro 105 dias - desenhos para os meus amigos, desenhos para melhor passar o tempo.

Mais informações: www.museudotrabalho.org 

Texto do curador Eduardo Veras: 

"O conhecimento humano costuma separar, de um lado, as ciências exatas, matemáticas e lógicas; de outro, as humanidades. Nessa lógica, a criação artística costuma aparecer com mais frequência junto ao segundo campo, o das intuições, das liberdades e dos desregramentos. No outro extremo, em solo árido, infértil, repousariam o rigor matemático, a linha reta e o percurso objetivo. Trabalhos como os de Gisela Waetge tornam mais poroso esse muro que divide em dois um mesmo mundo.

Suas pinturas e seus desenhos evidenciam a beleza da matemática – o que seria, digamos, uma estética da exatidão. Eles nos lembram que há algo, de fato, belo, harmonioso, atraente, em retas que se cruzam e se interceptam, que estabelecem quadros, quadrados, retângulos, que dão origem a novos pontos, planos, círculos, a esquemas gráficos e a campos de energia. Ocorre também que essa beleza exata pode conviver bastante bem com aquela outra, mais maleável; na aparência, mais livre e mais descontrolada. Há sempre algum imprevisto.

As grades que Gisela risca – base 12, base 9, uma assentada sobre a outra – comentam justamente essa tensão. Não se trata mais de celebrar um campo puro, exato, preciso; nem o outro, irreprimido, vasto, indeterminado. As forças se combinam. Os campos se entrelaçam. As grades se erguem entre um e outro, não para separar, mas antes para sobrepor." 
Eduardo Veras