BREAKDOWNS

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Descrição

Em 1992, Art Spiegelman tornou-se o primeiro quadrinista a ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer, por seu trabalho em Maus, graphic novel na qual narrava a história do pai, um sobrevivente de Auschwitz. Retratando os judeus como ratos e os nazistas como gatos, Maus acabou por se tornar um paradigma dos quadrinhos modernos. Ao combinar uma poderosa história autobiográfica a uma técnica ligada até então ou às crianças ou à contracultura, Spiegelman levou o gênero a um novo público, expandindo as fronteiras e o alcance das HQs.
Antes de Maus, no entanto, Spiegelman já vinha se consolidando como um dos mais criativos artistas de quadrinhos. Em suas histórias curtas, transitava livremente por diversos gêneros, ao mesmo tempo que, influenciado por Robert Crumb e pela explosão da HQ underground, levava a linguagem dos quadrinhos ao limite, com experimentos formais que até hoje se fazem sentir na produção de outros artistas. Na década de 1970, Spiegelman, "ousando chamar seu meio de arte", segundo ele mesmo coloca no epílogo deste livro, reuniu as histórias que havia escrito nos anos anteriores em um álbum de luxo, capa-dura, que ele pretendia que fosse vendido em livrarias.
O resultado foi Breakdowns, um trabalho inovador que serviu como primeiro passo para quadrinhos independentes ganharem o grande público. Uma coletânea de histórias de mistério, autobiográficas, eróticas e de humor, Breakdowns traz ainda a história curta que daria origem a Maus. Agora, mais de trinta anos depois, Spiegelman revisita o livro. Ao conteúdo do original, reproduzido na íntegra, acrescentou um epílogo em prosa e, mais importante, uma introdução em quadrinhos, "quase tão grande quanto o livro que ela introduz", segundo o autor.
Nestas novas tiras, Spiegelman volta à infância, ao primeiro contato com os quadrinhos, às descobertas que moldaram seu percurso de artista. Leitor voraz do Mad, das revistinhas de suspense e terror da E.C. Comics e de toda a trupe que formaria a primeira linha do quadrinho independente americano, Spiegelman conta, num misto de cinismo, doçura e humor, episódios dessa inusitada formação cultural. Ao mesmo tempo um trabalho de resgate histórico, tendo em vista que a edição original tornou-se objeto de colecionadores, e uma nova visão sobre o quadrinho enquanto arte, Breakdowns é Spiegelman em seu melhor, do início aos dias de hoje.