LIVRO ATELIE EDITORIAL JUDEUS E JUDAISMO NA OBRA

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Descrição

Lasar Segall é um dos mais expressivos artistas-símbolo dos judeus da Diáspora. Enquanto artista expressionista registrou seu protesto contra a degradação da retórica política, a injustiça e o genocídio. O conjunto de suas obras produzidas entre 1936-1947 deram conta da brutalidade sistemática praticada pelos regimes totalitários. Suas telas reconstituem imagens de mortos em massa, outras retratam as estratégias de sobrevivência adotadas pelas minorias oprimidas expressas (sutilmente) no caminhar exausto do judeu errante, no gesto impetuoso de angústia e de medo, na resignação e apatia dos refugiados judeus. Foi sob o prisma de seu olhar de cidadão russo e movido por sua alma judaica que Segall abordou a questão dos refugiados, do anti-semitismo e da barbárie nazista contra os judeus.
Saiu na Imprensa:

Época / Data: 10/1/2005
Lasar Segall e o judaísmo
Pesquisadores estudam a presença da religião, da perseguição aos judeus e da denúncia ao totalitarismo na obra do mestre lituano-brasileiro

Frederico Mengozzi

Os quadros de um artista são como impressões digitais da cultura da qual ele emerge. Se é verdade que o cristão Rembrandt não se toma judeu ao pintar um rabino e que o judeu Max Liebermann não se toma cristão ao pintar o retrato de Jesus, também é verdade que, em cada quadro, há traços culturais inapagáveis - na temática, no estilo, na atmosfera. É assim também com o mestre lituano-brasileiro Lasar Segall (1891-1957), responsável pela primeira mostra de arte moderna no Brasil, quase dez anos antes da histórica Semana de 22. Seu trabalho respira judaísmo. Essa relação é o tema de Judeus e Judaísmo na Obra de Lasar Segall , de Maria Luiza Tucci Carneiro e Celso Lafer (Ateliê Editorial, 184 páginas). Nas obras do artista vêem-se figuras de escribas de Torá, como o foi seu pai, rabinos, talmudistas; paisagens de Vilna, onde nasceu, e de seu gueto; cenas que reproduzem momentos de elevação espiritual, homens em oração, falência humana, vítimas de pogroms, campos de concentração. E judeus refugiados, emigrantes, sobreviventes.

Segall era o primeiro a reconhecer que o fato de artistas judeus trabalharem com motivos judaicos não fazia o resultado, por si, uma arte judaica. "Apesar disso", notava, "quando paramos em frente a um quadro de um artista judeu, sentimos o específico judaico no amplo e profundo sentido da palavra." E perguntava: "O que é caracteristicamente judaico?" Ele mesmo respondia: "É bem possível que seja o profundo sentimento humano. Talvez a nota de contestação, ou de intimidade espiritual, ou ainda de insatisfação com a estética 'pura' na arte". Ao contestar a existência de uma arte judaica, Segall nada mais fazia do que reconhecer que dentro do judaísmo havia pouco espaço para os artistas. O exministro Celso Lafer lembra que o conterrâneo Chaim Soutine, quando criança, pediu ao rabino da cidade que posasse para um retrato. Acabou apanhando do filho do religioso, "que considerou a solicitação um insulto à tradição judaica e aos sentimentos religiosos do pai".

Na cultura judaica tradicional, reconhece no prefácio Maurício Segall, filho do artista, não há espaço para a pintura e a escultura, "o que toma o artista plástico figurativo judeu (como Segall) um transgressor a mais...". Se surgiram Soutine, Chagall, Segall e tantos outros, escreve, "transcenderam o judaísmo, foram heréticos, mas mantiveram suas raízes, e assim puderam exercer sua universalidade”. Ao descrever sua aldeia, Segall foi universal. Ao fazer um quadro como Navio de Emigrantes, tinha o destino de todos os homens como referência, e não apenas o dos judeus. Depois, mais do que pintar homens, Segall pintava almas, como foi observado na mostra de 1913, em Campinas. Pintava almas e denunciava seus algozes. Como nota Maria Luiza Tucci Carneiro, no conjunto de obras produzidas entre 1936 e 1947 Segall acusou a brutalidade sistemática praticada pelos regimes totalitários."A metáfora do sofrimento" , escreve, "transformou-se na força motriz da criação segalliana, que, ao alertar a sociedade para a degradação humana, cumpriu seu papel revolucionário."

Lasar Segall fez seu aprendizado na Alemanha e teve várias obras confisca,das pelo regime nazista, expostas como exemplos de "arte degenerada" . No Brasil, foi mantido sob vigilância pelo governo de Getúlio Vargas - "é pintor e costuma usar da arte para fins de propaganda do credo vermelho...", diz um relatório oficial. Uma visita ao Museu Lasar Segall, em São Paulo, deixa claro como o artista era coerente. Ele levou às telas aquilo que acreditava ser mais caracteristicamente judaico: o profundo sentimento humano.

Sobre o autor:

LAFER, CELSO
Celso Lafer é professor-titular do Departamento de Filosofia e Teoria Geral do Direito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Outras obras publicadas: Argentina e o Brasil no sistema de relações internacionais (com Felix Peña), (São Paulo, 1973); O sistema político brasileiro: estrutura e processo, (São Paulo, 1975); Comércio e relações internacionais, (São Paulo, 1977); Gil Vicente e Camões, (São Paulo, 1978); O convênio do café de 1976: da reciprocidade no Direito Internacional Econômico, (São Paulo, 1979); Hannah Arendt: pensamento, persuasão e poder, (Rio de Janeiro, 1979); Hobbes, o direito e o Estado moderno, (São Paulo, 1980); Ensaios sobre a liberdade, (São Paulo, 1980); Paradoxos e possibilidades (estudos sobre a ordem mundial e sobre a política exterior do Brasil num sistema internacional em transformação), (Rio de Janeiro, 1982); O Brasil e a crise mundial (paz, poder e política externa), (São Paulo, 1984); Ensaios liberais, (São Paulo, 1991); Desafios: ética e política, (São Paulo, 1995); A OMC e a regulamentação do comércio internacional: uma visão brasileira, (Porto Alegre, 1998); Comércio, desarmamento, direitos humanos - Reflexões sobre uma experiência diplomática, (São Paulo, 1999)