LIVRO COSACNAIFY PASSADO, O

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Descrição

O nome do protagonista masculino de O Passado, Rimini, soa como uma homenagem a Fellini e ao cinema italiano dos anos 1960, em particular a Zurlini, considerando que o herói do livro é marcado pelas mesmas características - e vícios - do personagem de Alain Delon em A Primeira Noite de Tranqüilidade, que se passa, aliás, em Rimini, terra de Fellini. Em que medida o cinema influencia a literatura do roteirista Alan Pauls? Não tive a intenção de homenagear Fellini. Simplesmente necessitava de um nome especial, ambíguo, que pudesse ser lido ao mesmo tempo como prenome e sobrenome, e Rimini cumpria essa função. Pensei em Fellini, claro, mas pensei a posteriori, quando as Mulheres que Amam Demais - a célula político-sentimental que na novela faz do excesso de amor uma bandeira - conduziram-me a Cidade das Mulheres, talvez o filme de Fellini que menos me interessa. O cinema é tão importante para mim como a literatura; estão no mesmo nível. No entanto, as influências do último não são diretas. São oblíquas. Em O Passado aparecem explicitamente Rocco e Seus Irmãos, de Visconti, e A História de Adèle H ., de Truffaut, dois filmes dos quais sempre gostei. Porém, se tivesse de eleger uma sombra cinematográfica que paira sobre a novela diria, talvez, ser essa Love Streams (Amantes), de Cassavetes, que se insinua na frase-mantra "O amor é uma torrente contínua". Além disso, nos muitos "zooms in" e "zooms out" que existem na novela e me permitem passar de um primeiríssimo plano de cinco páginas a um plano geral, reconheço a marca formal da linguagem cinematográfica. A forma de entender o amor é muito diferente entre os homens e mulheres de O Passado. Estamos condenados a viver como filhos de nossas mulheres, como se diz no grupo das mulheres que amam demais? Qual é a sua teoria amorosa? No amor sou empírico, como todo mundo: tenho as idéias que me exigem experiências específicas. Só tenho teorias do amor quando escrevo literatura, vale dizer, quando as teorias são fatores de ficção como qualquer outro. Sofia e suas meninas sustentam que o excesso é parte crucial da experiência amorosa: não é algo que teriam de moderar nem algo de que deveriam se arrepender, não importa se são ou não correspondidas pelos homens. O excesso é uma energia e alimenta-se do passado, do capital amoroso acumulado, da memória sentimental. Rimini, em troca, pensa que para se inventar uma nova vida sentimental é preciso esquecer, libertar-se do peso do passado, sair de algum modo da história. Esse é o duelo histórico que ocupa parte da novela. Minha opinião é que, por opostas que pareçam, as duas posições têm mais em comum do que parece. Esquecimento e memória, de resto, são solidárias como as duas faces de uma folha de papel. A única coisa que eu diria em termos teóricos sobre o amor é que é uma das poucas experiências humanas que ainda aspiram a ser uma espécie de Todo absoluto, como alguma vez foram a religiâo e, nos anos 1970, a política.