Odes De Ricardo Reis Pocket

Odes De Ricardo Reis Pocket

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Descrição

Na vida de Fernando Pessoa pode-se afirmar que há duas datas de nascimento: a do próprio autor, 13 de junho de 1888, e a de seus heterônimos, 8 de março de 1914. O maior poeta de língua portuguesa do século XX criou diversos personagens para escrever a própria obra. Três deles, Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos, os mais conhecidos heterônimos de Fernando Pessoa, têm a obra completa publicada pela L&PM.

Alberto Caeiro foi o primeiro a ser lançado em formato pocket. Agora é a vez de as Odes de Ricardo Reis. Este volume apresenta ao leitor todas as odes atribuídas a Reis. Também estão incluídos no livro versos e poemas anotados com pequenas alterações feitas pelo poeta, chamados de variantes, inseridos como notas de rodapé.

De acordo com a biografia criada pelo próprio Pessoa, Ricardo Reis nasceu em 1887 no Porto e estudou em um colégio de jesuítas. Foi médico e fixou residência no Brasil desde 1919. Reis é o heterônimo neoclássico, da métrica perfeita, da temática pagã e da consciência da passagem rápida do tempo. Entre seus temas recorrentes podemos citar o do sofrimento diante dos mistérios da vida e da morte e as relações com as suas musas, Lídia, Neera e Cloe (confira logo abaixo dois poemas com essas temáticas). Segundo a avaliação de Pessoa, “Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado”.

Fernando Pessoa: nasceu em Lisboa em 1888. Ingressa na Universidade do Cabo em 1903, mas dois anos depois, sem concluir o curso, retorna a Lisboa e se inscreve na Faculdade de Letras. A partir de 1914 começam a aparecer suas primeiras publicações como poeta e é também o ano da criação oficial dos heterônimos. Em 1935, pouco antes de morrer, escreve a famosa carta a Adolfo Casais Monteiro, em que explica a gênese dos heterônimos.

De amore sua

Folha após folha nem caem,
Cloe, as folhas todas.
Nem antes que para elas, para nós
Que sabemos que morrem
Assim, Cloe, assim,
Antes que os próprios corpos, que empregamos
No amor, ele envelhece;
E nós, diversos, somos inda jovens,
Uma memória mútua.
Ah, se não hemos que ser mais que este
Saber do que ora fomos,
Ponhamos ao amor haver toda a vida,
Como se, findo o beijo
Único, sobre nós ruísse a súbita
Mole do total mundo.
(27-10-1923)

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.
(3-11-1923)